sábado, 24 de novembro de 2007

As escolas estão preparadas para o uso de mídias?


De início, não gostaria de refletir sobre as questão-título deste texto sem apresentar alguns dados da realidade que podem balizá-la. Porém, vejo que o empírico também nos ajuda a pensar melhor sobre as estruturas (e superestruturas) postas para permitir um uso de qualidade das mídias em nossas escolas públicas de ensino fundamental e médio. Pois bem, vamos ao que interessa:

  • As escolas estão preparadas para o uso de mídias?

Antes de pensarmos, diretamente no foco da questão é preciso fazermos uma pequena parada: O que vem a ser “mídia”. Resgatando alguns tópicos das leituras que fiz de Mcluhan [1](1964), Belloni[2] (2005), Kenski [3](2006), pode-se dizer que as mídias são meios ou veículos de comunicação.

Mcluhan (1964) afirma que “o conteúdo de qualquer meio ou veículo é sempre um outro meio ou veículo.” Isto implica em discutir o que se aprende por meio das “mídias”. Ele constestou a tese da neutralidade do meio tecnológico. Segundo ele, quando se transmite uma mensagem, o meio também transmite algo mais que lhe é próprio e que interfere no conteúdo, alterando-o. Nesta lógica, torna-se fundamental, aqui, resgatar um pouco da análise feita por Valdemar Setzer, em textos anteriores: o poder da mídia é bem maior do que pensamos! Há que se relativizar o uso irrestrito, acrítico das mídias, principalmente, por crianças e jovens em processo de formação do caráter, da personalidade. Seu uso deve ser equilibrado, consciente, sem exageros.

Belloni (2005) alerta para os efeitos danosos da superexposição às mídias. Segundo ela, as crianças estão superexpostas ao consumo desregrado da TV e isso pode provocar problemas na sua formação.

“Crianças que durante anos consomem televisão de modo frenético (isto quer dizer quase todas) absorvem certo tipo de mensagens, aspectos técnicos, elementos estéticos, que são de natureza diferente dos conteúdos. A televisão habitua o espectador a, por exemplo, privilegiar o zapping e a ‘desligar’ a atenção ou o aparelho quando um certo ritmo de sucessão de imagens e sons não é respeitado.” (BELLONI, 2002, p. 6).

Nesta lógica, os meios para se chegar à comunicação, ao conhecimento tornam-se elementos para além da humanidade! É preciso ter cautela entre um discurso salvacionista das mídias (novas tecnologias), como infelizmente ainda presenciamos e o discurso retrógrado e imobilista de que não é necessário fazer uso das tecnologias como propulsoras do conhecimento.

O termo “mídia” representa um conceito que referencia um amplo e complexo sistema de comunicação. Seu conceito constitui-se da sua característica como suporte de divulgação e de veiculação de informações (TV, rádio, jornal). A sua organização se dá, também, pela forma como a informação é transformada e divulgada (mídia impressa, mídia digital, mídia eletrônica). Além disso, é preciso compreendê-la dentro do escopo da sua materialização como instrumentos relevantes para o registro (DVDs, CDs, Cd-Rom, Fitas Cassete, Disquetes, Vídeocassetes).



E é justamente nesta definição que me sustento para responder à primeira questão: As escolas estão preparadas para o uso das mídias?

Bem, a partir do momento em que as mídias são meios, devemos pensar que estes meios são utilizados e alimentados por “seres humanos”. Assim, toda e qualquer comunicação que ocorre utilizando as mídias se tornam eivadas de caráter ideológico. Logo, ela pode servir à alienação.

As escolas, pelo que temos presenciado ainda não conseguiram superar o discurso de transformação para, efetivamente, fazê-lo valer na prática. Ela ainda está num processo de auto-reflexão, de questionar-se, de compreender-se. Há um conflito instalado, principalmente, no que tange a sua função social, as suas visões de mundo, as suas visões de educação e de homem.

Continua, portanto, o desafio da escola contribuir, efetivamente, para a formação de cidadãos críticos, atuantes, criativos e autônomos no pensar e no agir, com vistas à transformação.

Dessa forma, assumir as mídias, na perspectiva de trabalhá-las, no cotidiano da escola, de modo criativo, crítico, competente passa a se constituir como grande desafio para gerar transformações profundas e significativas: formação de professores, aprofundar as reflexões sobre metodologias de ensino, envolver o professor nos processos de seleção dos equipamentos, bem como exigir das diversas esferas das secretarias de educação a aquisição, manutenção e acessibilidade democratizada de equipamentos.

Pelo visto, muito ainda há que se investir para que as mídias sirvam como instrumentos de formação da criticidade, da autonomia, da criatividade e como instrumentos de construção do conhecimento e à serviço do homem para resolver problemas de ordem concreta da realidade que o circunda.

Neste sentido, concordo plenamente com uma indagação de Belloni[4] (2002): “como poderá a escola contribuir para que todas as nossas crianças se tornem utilizadoras (usuárias) criativas e críticas (grifo nosso) destas novas ferrametnas e não meras consumidoras compulsivas (grifo nosso) de representações novas de velhos clichês?.”

Diante disso, vejo que a escola ainda não se apresenta preparada para o desenvolvimento de seu trabalho com as mídias. É preciso que elas, a partir de seus gestores, de seus professores, de seus funcionários, de seus alunos, se conscientizem de que o uso das mídias não pode ser mecânico, instrumental, acrítico... O seu uso consciente passa pela discussão democrática dos objetivos, das funções e das finalidades da escola. Que aluno se quer formar? Que sociedade se quer? Que escola se quer?

É preciso atribuir-lhe o seu lugar na educação: ferramenta pedagógica à serviço da formação humana cidadã, crítica e autônoma.


Ivan Amaro



[1] MCLUHAN, M. Os meios de comunicação como extensões do homem. Cultriz, São Paulo, 1964.

[2] BELLONI, Maria Luíza. Educação a distância. 4.ed., Campinas-SP: Autores Associados, 2006.

[3] KENSKI, Vani Moreira. Tecnologias e ensino presencial e a distância. 4. ed., Campinas-SP: Papirus, 2006.

[4] BELLONI, Maria Luíza. O que é mídia-educação. 2.ed., Campinas-SP: Autores Associados, 2005.

Nenhum comentário:

Educação em Cena

Loading...

DE OLHO NO VÍDEO

Loading...

Fábrica de Resenha

OS SIMPSONS - O FILME (2007)
Quarta-feira, retorno de mais um dia de trabalho!
"O que fazer?" Diria a minha mais nova antiga amiga Cida.
"Ah, já sei... Vamos assistir ao filme dos Simpsons?"
Fiquei um tanto quanto em choque, mas mantive a classe... É que não tinha a mínima noção de que ela tivesse uma atração pela família Simpsons. Nunca tinha ouvido ela comentar a respeito.

"Eh, eh...vamos, sim" - respondi, sem conotar nenhum tipo de ironia ou desconforto. Ela não percebeu.
A sala de cinema quase toda a nossa disposição...
Inicia-se, então, um dos representantes mais críticos do "modus operandi" do "american way life"...

Claro que é uma crítica muito lúcida e, talvez, muito atormentada do modo de viver e pensar americano.

"Os Simpsons - o filme" não diferem quase nada do que já estamos acostumados a acompanhar pela televisão: crítica cáustica ao próprio modo de vida americano, posturas mais do politicamente incorretas, exacerbação nada ufanista e escrachada, enfim, o verdadeiro rosto de muitos americanos que se sentem os donos do mundo, os donos do poder...

O humor atroz, vivaz, inteligente leva-nos a um misto de pensamento filosófico, psicológico, sociológico, antropológico... Principalmente, para nós, educadores que adoramos "teorizar" sobre o mundo!! As situações "cômicas" assumem vieses, muitas vezes, de profunda reflexão sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre costumes, hábitos e culturas.

No início, em plena igreja, o vovô Simpson é possuído por um espírito e faz premonições catastróficas. A cena do espírito incorporado é, no mínimo, intrigante, pois era quase visível a sobreposição de outras imagens que nos lembram grandes ritos de determinadas igrejas em nosso país. A alienação se coloca como eixo.

A catástrofe anunciada envolve o ataque cruel da humanidade sobre a natureza e, conseqüentemente, a sua vingança. Lisa Simpson, com seu tom politicamente correto, assume a defesa do meio-ambiente. As reações da população de Springfield ao trabalho de conscientização de Lisa em muito se assemelham a posição tomada pelo EUA, no protocolo de Kyoto: "tô nem aí, não tenho nada com isso".

E quem é que provoca o maior "desastre ambiental", em Springfield. Não poderia ser ninguém menos do que Homer!! Obviedade característica!

Não poderia faltar, óbvio, a figura do presidente americano. Mas, não pensem que é o Bush quem aparece. O "Presidente dos EUA" é retratado pelo "rascunho" de ator e "dublê" de governador, o Sr. A. Schwarnegger.

Assim, a cidade é isolada por uma redoma devido ao caos ambiental causado por Homer. A partir daí, o conflito se instaura. A família simpson se vê pressionada a fugir da cidade para o Alaska. E os fatos finais reservam doses certas de gargalhadas e alguma reflexão, se é que ainda é possível refletir sobre alguma coisa mais a esta altura da narrativa.

O que fica como resultado é que o filme convence, diverte e leva-nos a pensar...e muito! Bom filme! Vale a pena!

Ivan Amaro, em 05/09/2007







Portfólios Eletrônicos EEPP III 2011

Propósitos Gerais - EEPP 2

1- Utilizar diversas ferramentas tecnológicas disponíveis na internet, proporcionando a expressão de ideias, pensamentos, reflexões e práticas por meio de linguagens diferenciadas, com a intenção de evidenciar as suas aprendizagens diversas, múltiplas;

2. Evidenciar a integração entre teoria e prática no âmbito dos aspectos de organização da escola em ciclos, no ensino fundamental (princípios, práticas, projeto político pedagógico, planejamento escolar, avaliação,organização curricular, organização do trabalho pedagógico);

3. Evidenciar os processos de aprendizagem relativos aos conhecimentos específicos apresentados na ementa da disciplina Escola Espaço Político Pedagógico 2;

4. Vivenciar a avaliação formativa como princípio teórico/prático para o trabalho pedagógico do professor e dos graduandos de modo a propiciar uma atuação conjunta para promover as aprendizagens, além de servir como prática para pensar e praticar formas alternativas de avaliação na escola básica;

5. Sistematizar as produções para evidenciar os progressos de suas aprendizagens; por meio de reflexões consistentes, fundamentadas, ilustradas com situações do cotidiano escolar;

6. Utilizar linguagens diversas como forma de expressão das reflexões, das aprendizagens.

Propósitos Gerais - EEPP 4

1. 1- Utilizar diversas ferramentas tecnológicas disponíveis na internet,
proporcionando a expressão de ideias, pensamentos, reflexões e
práticas por meio de linguagens diferenciadas, com a intenção de
evidenciar aprendizagens múltiplas;

2. 2- Proporcionar a integração entre teoria e prática no âmbito dos
aspectos de organização da escola do ensino fundamental (projeto político pedagógico, planejamento escolar, avaliação, organização curricular);

3. 3- Evidenciar os processos de aprendizagem relativos aos conhecimentos específicos apresentados na ementa da disciplina Escola Espaço Político Pedagógico 4;

4. 4- Vivenciar a avaliação formativa como princípio teórico/prático para o trabalho pedagógico do professor e dos graduandos de modo a propiciar uma atuação conjunta para promover as aprendizagens, além de servir como prática para pensar e praticar formas alternativas de avaliação na escola básica;

5. 5- Sistematizar as produções para evidenciar os progressos nas aprendizagens; por meio de reflexões consistentes, fundamentadas;

6. 6- Utilizar linguagens diversas como forma de expressão das reflexões, das aprendizagens.