segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Construir alternativas democráticas, justas e inclusivas para a avaliação da escola

Diante da matéria assinada por Carlos Giannazi abaixo, cabe-nos algumas reflexões sobre os processos e intenções que estão por trás das avaliações externas à escola.

Primeiro, é preciso concordar de que é necessário que estabeleçamos, sim, uma cultura da avaliação institucional no âmbito de nossas escolas. Entretanto, esta avaliação deve ser construída dentro do contexto da elaboração coletiva do Projeto Político Pedagógico e a partir da realidade na qual a escola se insere. Sua história, seus resultados alcançados nos últimos anos, seus percalços, suas dificuldades, suas experiências positivas, tudo isso deve como o conjunto de informações para que a própria escola trace, de forma mais fidedigna, o seu perfil e, assim, identifique seus maiores problemas para que possa definir metas e objetivos buscando a melhoria do serviço que oferece à população.


Outro aspecto a ser considerado é que os resultados das avaliações externas não podem ser compreendidos como fins em si mesmo, não podem ser analisados isoladamente e de forma descontextualizada. Devem, sim, ser confrontandos com as diversas variáveis que estão presentes no cotidiano de cada escola: as características da comunidade, as constantes carências de professor, as condições materiais insuficientes, as condições físicas precárias da escola, a falta de políticas públicas de qualidade e de estímulo para a formação continuada de seu quadro docente, os vergonhosos salários dos professores, a gestão da escola, o papel das diversas instâncias governamentais, equipamentos necessários, etc.


Um terceiro aspecto relevante em nossa reflexão relaciona-se à ampla apropriação irresponsável que grande parte da mídia vem fazendo ultimamente. O Correio Braziliense de ontem, domingo, traz no Caderno Brasil, o seguinte lead: "Bolsa família ajudou a retirar 8 milhões da miséria. Levantamento feito pelo Correio, no entanto, mostra que evasão escolar aumentou onde o programa é mais expressivo." Mesmo compreendendo que é preciso criar políticas de saída, não é possível continuarmos negando ao mais necessitados e excluídos o mínimo necessário para sobreviverem. Qual é a verdadeira intenção da reportagem? A quem interessa, efetivamente? É preciso que discutamos profundamente todos estes vieses.


Estamos acompanhando, também pela grande imprensa, que muitos sistemas estão aderindo a nefasta forma de excluir cada vez mais por meio da "compra" de professores, de alunos, das escolas, conforme apontado por Giannazi. Quinta-feira passada, dia 27/09, no "Bom Dia DF", da Rede Globo, a Secretária de Educação do Município do Rio de Janeiro informou sobre os eixos do decreto assinado, recentemente, pelo prefeito César Maia, instituindo o pagamento de um determinado valor para o aluno que obtiver conceito “muito bom” anual. E, mais: o valor aumenta, chegando a aproximadamente R$ 4.000,00, caso o aluno consiga três resultados anuais consecutivos “muito bom”,

Em Brasília, ventila-se, com muita força, a idéia de que as escolas que apresentarem bons resultados no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) terão um valor, em dinheiro, a ser “rateado” entre seus professores.


Ora, não podemos deixar que usem resultados de uma
“prova” para estabelecer a lógica da meritocracia, da competitividade exacerbada e a explícita exclusão daquelas escolas que não apresentarem resultados tão “bons”. Por outro lado, não podemos nos posicionar de forma a boicotar estas avaliações. É fundamental que nos apropriemos do debate para construirmos uma sólida crítica ao rankeamento, à mercantilização da educação e à exclusão. Devemos todos, educadores, pais, alunos, funcionários das escolas e comunidade em geral, aprofundar a discussão acerca da função da avaliação institucional em prol do desenvolvimento da escola, do aluno, do professor, do gestor e da comunidade em geral. Por fim, não podemos ficar de braços cruzados, é fundamental que refutemos as idéias como estas que as cidades de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Brasília pretendem implantar. A resistência se faz com uma discussão profunda, calcada em reflexões teóricas e práticas, fundamentada em princípios coletivos e que proporcione a construção de alternativas de avaliação da escola que sejam justas, democráticas e inclusivas.

Ivan Amaro

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Educação em Cena

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DE OLHO NO VÍDEO

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Fábrica de Resenha

OS SIMPSONS - O FILME (2007)
Quarta-feira, retorno de mais um dia de trabalho!
"O que fazer?" Diria a minha mais nova antiga amiga Cida.
"Ah, já sei... Vamos assistir ao filme dos Simpsons?"
Fiquei um tanto quanto em choque, mas mantive a classe... É que não tinha a mínima noção de que ela tivesse uma atração pela família Simpsons. Nunca tinha ouvido ela comentar a respeito.

"Eh, eh...vamos, sim" - respondi, sem conotar nenhum tipo de ironia ou desconforto. Ela não percebeu.
A sala de cinema quase toda a nossa disposição...
Inicia-se, então, um dos representantes mais críticos do "modus operandi" do "american way life"...

Claro que é uma crítica muito lúcida e, talvez, muito atormentada do modo de viver e pensar americano.

"Os Simpsons - o filme" não diferem quase nada do que já estamos acostumados a acompanhar pela televisão: crítica cáustica ao próprio modo de vida americano, posturas mais do politicamente incorretas, exacerbação nada ufanista e escrachada, enfim, o verdadeiro rosto de muitos americanos que se sentem os donos do mundo, os donos do poder...

O humor atroz, vivaz, inteligente leva-nos a um misto de pensamento filosófico, psicológico, sociológico, antropológico... Principalmente, para nós, educadores que adoramos "teorizar" sobre o mundo!! As situações "cômicas" assumem vieses, muitas vezes, de profunda reflexão sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre costumes, hábitos e culturas.

No início, em plena igreja, o vovô Simpson é possuído por um espírito e faz premonições catastróficas. A cena do espírito incorporado é, no mínimo, intrigante, pois era quase visível a sobreposição de outras imagens que nos lembram grandes ritos de determinadas igrejas em nosso país. A alienação se coloca como eixo.

A catástrofe anunciada envolve o ataque cruel da humanidade sobre a natureza e, conseqüentemente, a sua vingança. Lisa Simpson, com seu tom politicamente correto, assume a defesa do meio-ambiente. As reações da população de Springfield ao trabalho de conscientização de Lisa em muito se assemelham a posição tomada pelo EUA, no protocolo de Kyoto: "tô nem aí, não tenho nada com isso".

E quem é que provoca o maior "desastre ambiental", em Springfield. Não poderia ser ninguém menos do que Homer!! Obviedade característica!

Não poderia faltar, óbvio, a figura do presidente americano. Mas, não pensem que é o Bush quem aparece. O "Presidente dos EUA" é retratado pelo "rascunho" de ator e "dublê" de governador, o Sr. A. Schwarnegger.

Assim, a cidade é isolada por uma redoma devido ao caos ambiental causado por Homer. A partir daí, o conflito se instaura. A família simpson se vê pressionada a fugir da cidade para o Alaska. E os fatos finais reservam doses certas de gargalhadas e alguma reflexão, se é que ainda é possível refletir sobre alguma coisa mais a esta altura da narrativa.

O que fica como resultado é que o filme convence, diverte e leva-nos a pensar...e muito! Bom filme! Vale a pena!

Ivan Amaro, em 05/09/2007







Portfólios Eletrônicos EEPP III 2011

Propósitos Gerais - EEPP 2

1- Utilizar diversas ferramentas tecnológicas disponíveis na internet, proporcionando a expressão de ideias, pensamentos, reflexões e práticas por meio de linguagens diferenciadas, com a intenção de evidenciar as suas aprendizagens diversas, múltiplas;

2. Evidenciar a integração entre teoria e prática no âmbito dos aspectos de organização da escola em ciclos, no ensino fundamental (princípios, práticas, projeto político pedagógico, planejamento escolar, avaliação,organização curricular, organização do trabalho pedagógico);

3. Evidenciar os processos de aprendizagem relativos aos conhecimentos específicos apresentados na ementa da disciplina Escola Espaço Político Pedagógico 2;

4. Vivenciar a avaliação formativa como princípio teórico/prático para o trabalho pedagógico do professor e dos graduandos de modo a propiciar uma atuação conjunta para promover as aprendizagens, além de servir como prática para pensar e praticar formas alternativas de avaliação na escola básica;

5. Sistematizar as produções para evidenciar os progressos de suas aprendizagens; por meio de reflexões consistentes, fundamentadas, ilustradas com situações do cotidiano escolar;

6. Utilizar linguagens diversas como forma de expressão das reflexões, das aprendizagens.

Propósitos Gerais - EEPP 4

1. 1- Utilizar diversas ferramentas tecnológicas disponíveis na internet,
proporcionando a expressão de ideias, pensamentos, reflexões e
práticas por meio de linguagens diferenciadas, com a intenção de
evidenciar aprendizagens múltiplas;

2. 2- Proporcionar a integração entre teoria e prática no âmbito dos
aspectos de organização da escola do ensino fundamental (projeto político pedagógico, planejamento escolar, avaliação, organização curricular);

3. 3- Evidenciar os processos de aprendizagem relativos aos conhecimentos específicos apresentados na ementa da disciplina Escola Espaço Político Pedagógico 4;

4. 4- Vivenciar a avaliação formativa como princípio teórico/prático para o trabalho pedagógico do professor e dos graduandos de modo a propiciar uma atuação conjunta para promover as aprendizagens, além de servir como prática para pensar e praticar formas alternativas de avaliação na escola básica;

5. 5- Sistematizar as produções para evidenciar os progressos nas aprendizagens; por meio de reflexões consistentes, fundamentadas;

6. 6- Utilizar linguagens diversas como forma de expressão das reflexões, das aprendizagens.