quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Os sentidos da coordenação pedagógica nas escolas públicas do Distrito Federal


A coordenação pedagógica[1]na escola da rede pública do Distrito Federal é um espaço/tempo conquistado por meio de lutas históricas dos educadores comprometidos com uma educação pública inclusiva, de qualidade e democrática.

É notório que os processos de atomização, desqualificação e compartimentalização do trabalho docente denotam-se como reflexos das lógicas neoliberais de ajustes econômicos. A divisão do trabalho dentro dos modelos econômicos capitalistas facilita o controle e a dominação do trabalho do professor. A coordenação pedagógica nas escolas veio, no decorrer do tempo, se constituindo em atividade esvaziada de significado pedagógico para o trabalho do professor: trabalho parcelar, individualizado, ausência de discussões político-pedagógicas, ausência de momentos de formação, falta de sistematização da coordenação pedagógica inexistência de projetos, etc. O quadro que vinha se configurando era a representação, em menor escala, da crise do trabalho em seu aspecto social mais abrangente.

A temporalidade é um aspecto fundamental para a construção de propostas que visem à constituição de um trabalho docente que tenha em vista o sucesso do aluno em seu processo de aprendizagem. Por isso, a temporalidade pedagógica, como bem define Assmann (1998), quando se coloca à disposição da produção de experiências prazerosas nas relações do aprender, cria todo um clima de organização propício às experiências de aprendizagem e fornece-nos a possibilidade de troca de experiências e a construção coletiva do trabalho pedagógico. Assmann acrescenta, ainda, que a temporalidade pedagógica não se reduz ao tempo cronológico, mas a uma infinidade de tempos que se constituem na escola.

A coordenação pedagógica é mais um dos componentes dessa temporalidade pedagógica e constitui-se como um relevante contributo para a organização do trabalho pedagógico, do planejamento escolar, das decisõeses pedagógicas, a discussão dos tempos do aprender, dos espaços, da educação continuada do professor quando pensado numa lógica de integração, não compartimentalização, coletivo. É, enfim, um espaço valioso que proporciona o debate, a discussão, a troca, o diálogo, o encontro, a reflexão sobre a ação, a reflexão-na-ação.

Tecendo a teia de interações

A coordenação pedagógica no âmbito da escola, lugar de conflitos, embates, trocas, discussões, debates, realidades vivas e lugar privilegiado de educação continuada do professor reflexivo deve, também, apresentar um projeto que direcione claramente suas ações ao longo do ano. Assim, o projeto, que faz parte do projeto maior da escola, o Projeto Político-Pedagógico, contribui para tornar explícitas as intenções do trabalho docente.

A coordenação pedagógica na escola deve se sustentar em alguns pressupostos fundamentais :

- A educação deve ser compreendida como prática social, assim, a escola é locus a privilegiado para a construção de relações e práticas coletivas;

- A ação pedagógica, entendida como prática social, deve-se fundamentar em objetivos, finalidades. A finalidade da coordenação pedagógica sustenta-se na perspectiva de que as práticas pedagógicas são práticas sociais transformadoras;

- A constituição do Projeto Político-Pedagógico da escola requer uma relação democrática comprometida com a construção da cidadania e com a função social de provocar mudanças qualitativas na vida de seus alunos e da comunidade em geral;

- O processo participativo é fundamental para que se garanta mudanças conscientes.

A coordenação pedagógica, baseada nesses pressupostos, é compreendida como espaço/tempo primordial da construção de planejamento e realização de ações coletivas, de reflexão, de troca de experiências, de elaboração, de organização coletiva do trabalho pedagógico como vistas à alteração das estruturas de trabalho docente individualizadas, fragmentadas, isoladas, descontextualizadas e, conseqüentemente, dos contextos de fracasso que fazem parte das maioria de nossas escolas.

É, também, espaço/tempo de construção da autonomia do trabalho docente, bem como de construção do projeto político-pedagógico que busque a autonomia da escola. Constituir esse espaço/tempo torna-se fundamental para solidificar as bases da transformação que se pretende operar no âmbito da escola, considerando os aspectos organizativos do processo de trabalho pedagógico e os aspectos inerentes à gestão que é exercida no interior escolar (Veiga, 2000).

A autonomia deve ser entendida em várias vertentes. Ela é, antes de tudo, um aspecto preponderante para a constituição da identidade da escola. Ela é a possibilidade de a escola pensar a sua própria essência, a sua própria organização, os seus próprios fundamentos do ensinar e do aprender, as suas relações com a comunidade.

A autonomia não é um valor absoluto, fechado em si mesmo, mas um valor que se determina numa relação de interação social. Nesse sentido, a escola deve alicerçar o conceito de autonomia, enfatizando a responsabilidade de todos, sem deixar de lado os outros níveis da esfera administrativa educacional. A autonomia é importante para a criação da identidade da escola. A autonomia não é, afinal, uma política, mas a substância de uma nova organização do trabalho pedagógico na escola. Essa supõe a possibilidade de singularidade e variação entre as instituições escolares. (Veiga, 2000, p. 15)

Dessa forma, a coordenação pedagógica constitui-se como espaço/tempo de oportunização das interações coletivas, individuais. A participação ativa de sujeitos contribui para o fortalecimento de ações que percorrem um trajeto, ora do social ou interpessoal para o individual ou intrapessoal, ora do intrapessoal para o interpessoal.

Neste movimento, a coordenação pedagógica reveste-se dos seguintes sentidos

* espaço/tempo do professor formar-se, educar-se
* espaço/tempo para a troca de experiências pedagógicas que tenha alcançado resultados expressivos;

* espaço/tempo de aprendizagem coletiva;

* espaço/tempo
de planejamento individual e coletivo das ações pedagógicas;
* espaço/tempo
para a organização coletiva do trabalho pedagógico;
* espaço/tempo
para pensar, refletir, analisar e repensar as práticas pedagógicas.

Com objetivos claros, comuns e factíveis, a rede de interações vai se constituindo à medida que o professor tem um tempo demarcado para perceber-se parte de uma totalidade. E este tempo é o tempo da coordenação pedagógica. O professor, sentindo-se parte do todo, logo sentir-se-á o todo nas partes. Cada um, com suas experiências deixa um pouco de si no outro e vice-versa. Assim, os nós se fortalecem, a rede consolida-se e o trabalho na escola pode representar um faceta mais integrada, coletiva, intencional.

(texto adaptado da minha dissertação de mestrado)


[1] A coordenação pedagógica é um espaço/tempo dentro da escola, oficialmente definida. Representa o resultado de lutas reivindicatórias da categoria de professores. Até o ano de 1994, professores que trabalhavam de 1ª a 4ª série, 40 horas/sem., tinham essas horas divididas assim: 32 horas/sem destinadas à regência de classe (2 turmas) e 08 horas/sem. destinadas à coordenação. Com a implantação da Escola Candanga, o número de horas destinadas à coordenação foi alterado. A carga horária semanal era distribuída da seguinte forma: 25 h/sem destinadas à regência de classe e 15 h/sem. destinadas à coordenação pedagógica, nas escolas que atendem às séries iniciais do ensino fundamental. Para as escolas que atendem as séries finais do Ensino Fundamental e o Ensino Médio, a correlação é de 30 h/sem de regência para 10 h/sem de coordenação. Este tempo destina-se à organização do trabalho do professor para: o planejamento coletivo, a formação, a auto-formação, a organização do trabalho pedagógico, etc.

Um comentário:

CresceNet disse...

Oi, achei seu blog pelo google está bem interessante gostei desse post. Gostaria de falar sobre o CresceNet. O CresceNet é um provedor de internet discada que remunera seus usuários pelo tempo conectado. Exatamente isso que você leu, estão pagando para você conectar. O provedor paga 20 centavos por hora de conexão discada com ligação local para mais de 2100 cidades do Brasil. O CresceNet tem um acelerador de conexão, que deixa sua conexão até 10 vezes mais rápida. Quem utiliza banda larga pode lucrar também, basta se cadastrar no CresceNet e quando for dormir conectar por discada, é possível pagar a ADSL só com o dinheiro da discada. Nos horários de minuto único o gasto com telefone é mínimo e a remuneração do CresceNet generosa. Se você quiser linkar o Cresce.Net(www.provedorcrescenet.com) no seu blog eu ficaria agradecido, até mais e sucesso. (If he will be possible add the CresceNet(www.provedorcrescenet.com) in your blogroll I thankful, bye friend).

Educação em Cena

Loading...

DE OLHO NO VÍDEO

Loading...

Fábrica de Resenha

OS SIMPSONS - O FILME (2007)
Quarta-feira, retorno de mais um dia de trabalho!
"O que fazer?" Diria a minha mais nova antiga amiga Cida.
"Ah, já sei... Vamos assistir ao filme dos Simpsons?"
Fiquei um tanto quanto em choque, mas mantive a classe... É que não tinha a mínima noção de que ela tivesse uma atração pela família Simpsons. Nunca tinha ouvido ela comentar a respeito.

"Eh, eh...vamos, sim" - respondi, sem conotar nenhum tipo de ironia ou desconforto. Ela não percebeu.
A sala de cinema quase toda a nossa disposição...
Inicia-se, então, um dos representantes mais críticos do "modus operandi" do "american way life"...

Claro que é uma crítica muito lúcida e, talvez, muito atormentada do modo de viver e pensar americano.

"Os Simpsons - o filme" não diferem quase nada do que já estamos acostumados a acompanhar pela televisão: crítica cáustica ao próprio modo de vida americano, posturas mais do politicamente incorretas, exacerbação nada ufanista e escrachada, enfim, o verdadeiro rosto de muitos americanos que se sentem os donos do mundo, os donos do poder...

O humor atroz, vivaz, inteligente leva-nos a um misto de pensamento filosófico, psicológico, sociológico, antropológico... Principalmente, para nós, educadores que adoramos "teorizar" sobre o mundo!! As situações "cômicas" assumem vieses, muitas vezes, de profunda reflexão sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre costumes, hábitos e culturas.

No início, em plena igreja, o vovô Simpson é possuído por um espírito e faz premonições catastróficas. A cena do espírito incorporado é, no mínimo, intrigante, pois era quase visível a sobreposição de outras imagens que nos lembram grandes ritos de determinadas igrejas em nosso país. A alienação se coloca como eixo.

A catástrofe anunciada envolve o ataque cruel da humanidade sobre a natureza e, conseqüentemente, a sua vingança. Lisa Simpson, com seu tom politicamente correto, assume a defesa do meio-ambiente. As reações da população de Springfield ao trabalho de conscientização de Lisa em muito se assemelham a posição tomada pelo EUA, no protocolo de Kyoto: "tô nem aí, não tenho nada com isso".

E quem é que provoca o maior "desastre ambiental", em Springfield. Não poderia ser ninguém menos do que Homer!! Obviedade característica!

Não poderia faltar, óbvio, a figura do presidente americano. Mas, não pensem que é o Bush quem aparece. O "Presidente dos EUA" é retratado pelo "rascunho" de ator e "dublê" de governador, o Sr. A. Schwarnegger.

Assim, a cidade é isolada por uma redoma devido ao caos ambiental causado por Homer. A partir daí, o conflito se instaura. A família simpson se vê pressionada a fugir da cidade para o Alaska. E os fatos finais reservam doses certas de gargalhadas e alguma reflexão, se é que ainda é possível refletir sobre alguma coisa mais a esta altura da narrativa.

O que fica como resultado é que o filme convence, diverte e leva-nos a pensar...e muito! Bom filme! Vale a pena!

Ivan Amaro, em 05/09/2007







Portfólios Eletrônicos EEPP III 2011

Propósitos Gerais - EEPP 2

1- Utilizar diversas ferramentas tecnológicas disponíveis na internet, proporcionando a expressão de ideias, pensamentos, reflexões e práticas por meio de linguagens diferenciadas, com a intenção de evidenciar as suas aprendizagens diversas, múltiplas;

2. Evidenciar a integração entre teoria e prática no âmbito dos aspectos de organização da escola em ciclos, no ensino fundamental (princípios, práticas, projeto político pedagógico, planejamento escolar, avaliação,organização curricular, organização do trabalho pedagógico);

3. Evidenciar os processos de aprendizagem relativos aos conhecimentos específicos apresentados na ementa da disciplina Escola Espaço Político Pedagógico 2;

4. Vivenciar a avaliação formativa como princípio teórico/prático para o trabalho pedagógico do professor e dos graduandos de modo a propiciar uma atuação conjunta para promover as aprendizagens, além de servir como prática para pensar e praticar formas alternativas de avaliação na escola básica;

5. Sistematizar as produções para evidenciar os progressos de suas aprendizagens; por meio de reflexões consistentes, fundamentadas, ilustradas com situações do cotidiano escolar;

6. Utilizar linguagens diversas como forma de expressão das reflexões, das aprendizagens.

Propósitos Gerais - EEPP 4

1. 1- Utilizar diversas ferramentas tecnológicas disponíveis na internet,
proporcionando a expressão de ideias, pensamentos, reflexões e
práticas por meio de linguagens diferenciadas, com a intenção de
evidenciar aprendizagens múltiplas;

2. 2- Proporcionar a integração entre teoria e prática no âmbito dos
aspectos de organização da escola do ensino fundamental (projeto político pedagógico, planejamento escolar, avaliação, organização curricular);

3. 3- Evidenciar os processos de aprendizagem relativos aos conhecimentos específicos apresentados na ementa da disciplina Escola Espaço Político Pedagógico 4;

4. 4- Vivenciar a avaliação formativa como princípio teórico/prático para o trabalho pedagógico do professor e dos graduandos de modo a propiciar uma atuação conjunta para promover as aprendizagens, além de servir como prática para pensar e praticar formas alternativas de avaliação na escola básica;

5. 5- Sistematizar as produções para evidenciar os progressos nas aprendizagens; por meio de reflexões consistentes, fundamentadas;

6. 6- Utilizar linguagens diversas como forma de expressão das reflexões, das aprendizagens.